Opinião

SOBRE A PINTURA DE FIRMINO PASCOAL

Na última década houve um crescendo de novos artistas que nos surpreenderam pela positiva, uns, outros nem tanto, com um conjunto vasto de trabalhos artísticos que vieram enriquecer o nosso património.
O aparecimento de um novo conceito, a lusofonia, veio congregar em torno de si um número ainda maior de artistas das vastas comunidades da língua portuguesa espalhadas pelo mundo.

Está neste caso Firmino Pascoal, nascido em Angola mas, desde muito cedo, radicado em Lisboa, onde exerce a sua actividade profissional e, nas horas vagas dedica o seu tempo à pintura.
O conjunto da sua obra reflecte e está carregado dos códigos relativos às suas raízes africanas embora, em muitos aspectos do seu trabalho, as suas origens estejam diluídas com uma urbanidade fortemente europeia, própria de quem está há muito tempo partilhando as vivências de uma Lisboa cosmopolita.

Numa primeira fase do seu trabalho predominam as cores terra, o tal código da sua raiz angolana. Posteriormente, numa nova fase, as referências a África tornam-se mais evidentes através das cores quentes e fervilhantes, onde predominam os azuis e os vermelhos de mistura com cores mais claras, amarelos e laranjas, que resultam num conjunto misto de alegria e exaltação.

Num olhar mais cuidado ao trabalho do artista, descobre-se também uma procura e preocupação interior, apesar do traço forte e vigoroso do pincel com que o artista vai delineando a obra. O seu trabalho possui uma certa irreverência que marca o seu cunho pessoal embora, por vezes, possamos encontrar algumas influências de outros pintores modernistas como, por exemplo, Kandinsky e Paul Klee.

Por tudo isto não surpreenderá que Firmino Pascoal seja no futuro uma referência do espaço lusofono, a exemplo de outros nomes já consagrados do horizonte cultural africano.


Carlos Miguel Andrade
Historiador - Museólogo

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